Paginas

Colabore

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O Viajante

Um homem, tendo que fazer uma longa viagem, se preparou como melhor lhe convinha.
Teria um longo caminho pela frente, e neste tempo, enfrentaria muito sol, muita chuva, muito frio, enfim, inúmeros obstáculos. Achava que nada poderia detê-lo.
Para a sua caminhada, tomou calçados, roupas, chapéu, enfim, tudo o que achava necessário. E tudo era novo.
Pensou em seu destino e em tudo de valor que achava possuir.
Abriu sua mochila, e nela colocou tudo, calçado, roupa, chapéu, achando que se não os usasse no seu dia a dia, ao final, teria tudo ao seu dispor, quando quisesse. E novo.
Colocou tudo às costas, e partiu.
Ao longo de sua vida, após varias trilhas, viu-se cansado e não pode mais continuar. Estava exausto.
O peso as suas costas, com o seu tesouro, já lhe era insuportável.
Seus pés, rachados e sangrando, seu corpo surrado, machucado e frágil, sua cabeça ferida e seu pensamento, sem direção.
Olhou para os seus pés e para seu calçado. O sapato continuava novo, e seus pés, acabados.
Tomou a sua roupa nova e tocou o seu corpo velho e dolorido.
Levantou o seu chapéu, novo, e tentou colocá-lo em sua cabeça inchada.
Faltava muito para chegar, e tudo que possuía, novo, tal como preservou, de nada lhe servia agora.
Pensou em abandonar tudo.
Em silêncio, e pela primeira vez, concluiu que se tivesse utilizado o seu calçado, ele estaria velho, mas seus pés, doloridos, apenas. Se tivesse se vestido, sua roupa estaria rota, mas, seu corpo não estaria machucado, cansado e sujo. Se tivesse usado o seu chapéu, ele estaria com sua abas caídas, mas sua cabeça não estaria por estourar de dor.
Refletiu, e reconheceu que ali estavam os seus verdadeiros amigos. Para servi-lo, a todo instante, porém tentando somente preservá-los, não permitiu que eles participassem de sua vida.
Lembre-se.
Os seus amigos não querem estar somente em uma mochila, como o calçado, a roupa, o chapéu, como um fardo.
Querem é estar contigo, em toda a sua jornada, mesmo que cheguem desgastados, sujos, cansados, porém, certos de que, de algum modo, aliviaram a sua dor, seu sacrifício e participaram de sua alegria, e chegaram ao fim.
Todos... Juntos....

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A Deusa Do Sal

Conta uma lenda que em uma ilha longínqua vivia uma solitária deusa de sal. Ela era apaixonada pelo mar. Passava dias, noites, horas na praia observando o balanço de suas ondas, sua beleza, seu mistério, sua magnitude. Um desejo enorme começou a apossar-se do seu coração: experimentar toda aquela beleza. Esse desejo ia aumentando até que um dia a deusa resolveu entrar no mar. Logo que ela colocou os pés no mar, eles sumiram, derreteram-se. Encantada com o mar, ela seguiu em frente e logo após suas pernas e coxas não mais existiam. A deusa, entretanto, seguiu adiante, sentindo partes do seu corpo derretendo-se, até ficar apenas com o rosto do lado de fora. Uma estrela que observava tudo falou: Linda deusa, você vai desaparecer por completo. Daqui a pouco você não mais existirá. A água do mar desfazia o rosto da deusa, mas ela respondeu fazendo um esforço: - Continuarei existindo, porque agora eu sou o mar também.
Para conhecer e experimentar é preciso permitir-se, ir em frente. Quando isto acontece, a mudança se dá, mudamos. A deusa mudou, transformando-se em mar, fazendo parte dele, passou a ser o mar que ela tanto admirava da praia. O mar por sua vez, também transformou-se, porque foi salgado pela deusa. Ambos experimentaram a mudança: a deusa e o mar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O Velho Caminhoneiro

Um belo dia de sol, Sr. Mário, um velho caminhoneirochega em casa todo orgulhoso e chama a sua esposapara ver o lindo caminhão que compraradepois de longos e árduos 20 anos de trabalho.Era o primeiro que conseguia comprar depois de tantos anos de sufoco e estrada.A partir daquele dia, finalmente seria seu próprio patrão.Ao chegar à porta de casa, encontra seu filhinho de seis anos, martelando alegremente a lataria do reluzente caminhão.Irado e aos berros pergunta o que o filho estava fazendo e, sem hesitar, completamente fora de si, martela impiedosamente as mãos do garoto, que se põe a chorar desesperadamente sem entender o que estava acontecendo.A mulher do caminhoneiro corre em socorro do filho, mas pouco pôde fazer.Chorando junto ao filho, consegue trazer o marido à realidade, e juntos levam o garoto ao hospital para cuidar dos ferimentos provocados.Passadas várias horas de cirurgia, o médico desconsolado e bastante abatido, chama os pais e informa que as dilacerações foram de tão grande extensão, que todos os dedos da criança tiveram que ser amputados.Porém, o menino era forte e resistia bem ao ato cirúrgico, devendo os pais aguardá-lo no quarto.Ao acordar, o menino ainda sonolento esboçou um sorriso e disse ao pai:-Papai, me desculpe. Eu só queria consertar seu caminhão, como você me ensinou outro dia. Não fique bravo comigo.O pai, enternecido e profundamente arrependido, deu um forte abraço no filho e disse que aquilo não tinha mais importância. Não estava bravo e sim arrependido de ter sido tão duro com ele e que a lataria do caminhão não tinha estragado.Então o garoto com os olhos radiantes perguntou:- Quer dizer que não está mais bravo comigo?- É claro que não! – respondeu o pai.Ao que o menino pergunta:- Se estou perdoado papai, quando meus dedinhos vão nascer de novo?Nos momentos de raiva cega, machucamos as pessoas que mais amamos, e muitas vezes não podemos "sarar" a ferida que deixamos.Nos momentos de raiva, tente parar e pensar em suas atitudes,a fim de evitar que os danos seja irreversíveis.Não há nada pior que o arrependimento e a culpa.Pense nisto!