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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Companheiros De Viagem

Às vezes, imagino a vida como uma viagem de trem, feita com companheiros que a compartilham em determinados trechos.
Quando nasci, entrei no trem em que estavam meus pais; eles já conheciam algumas coisas sobre a viagem e sobre o trem. Certamente parte de seus conhecimentos correspondia à verdade e outra parte não passava de ilusões.
No meio da minha viagem nasceram meus filhos.
A essa altura eu também já conhecia algumas coisas a respeito da viagem e do trem; Igualmente, parte era verdadeira e parte não.
Há pouco tempo meu pai deixou o trem e, com sua partida, mudou a maneira de fazermos a viagem. Mas o trem continuou...
Quando juntos, cada um dos companheiros de viagem faz suas descobertas e procura passá-las para outros, sabendo que a riqueza da luz se amplia quando é compartilhada.
Pais e filhos, somente companheiros. Nem guias, nem professores, muito menos proprietários...
Pais e filhos, o maior e mais belo encontro da vida, cúmplices no aprender a desvendar os mistérios de cada um; amigos nas transformações, pois este é um dos grandes segredos da vida: quase tudo é provisório!
O que hoje nos sacia, amanhã pode não mais fazê-lo.
De definitivo, somente os filhos e, por conseqüência, os pais: definitivo e eterno amor.
No meio das ondas do ato de se viver e dos percursos das nuvens em se buscar
Definitivos e eternos Simplesmente Companheiros de viagem!
Somos todos assim, passageiros de um mesmo trem...

(Roberto Shiniashiki)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Certos Momentos

Primeiro Momento
Quantas vezes fechamos as portas de nossos corações por medo?
Quantas vezes dizemos NÃO às mudanças?
Quantas vezes fechamos os olhos para não ver a realidade?
Quantas vezes nos calamos com medo de dizer o que precisava ser dito naquele momento tão especial?Quantas vezes bloqueamos nossos sentimentos com medo de amar?
Quantas vezes deixamos de ser quem somos somente para agradar alguém que jamais o entenderá?
Quantas vezes...
Quantas vezes mais poderá um ser humano continuar nesta estrada, cujo caminho ele nem mesmo sabe onde dará?
Segundo Momento
Quantas vezes agradeci a Deus as oportunidades que tive?
Quantas vezes mais agradecer?
Quantas vezes mais é preciso?
Quantas vezes mais desejo agradecer?
Terceiro Momento
Às vezes sentimos, porém não conseguimos expressar...
Às vezes choramos, mas não conseguimos demonstrar...
Nossos momentos.
O passado proporcionou tantas maravilhas, que muitas vezes desejamos tê-las novamente.
Felizmente, cada momento tem seu próprio tempo e, graças a Deus, não se repetem, pois a vida fica muito mais bonita e alegre quando os momentos passados foram originais e sinceros.
O presente nos proporciona grandes, médios e pequeninos momentos; porém, a quem competirá medir estes momentos será você mesmo, e deles aproveitar o máximo.
Cabe a você classificá-los, admirá-los ou apagá-los.
O futuro... estes são os momentos que mais vivem em nossas mentes e corações.
As ansiedades pelo próximo dia, a perspectiva pelas novas metas realizadas, o beijo desejado, o sonho realizado.
Momentos da vida.
Dos momentos passados, agradecemos as oportunidades, guardamos a felicidade em nossos corações.
Para as tristezas fazemos uma prece, aos sonhos realizados fechamos os olhos e recordamos com alegrias cada segundo.
Enfim, dos momentos que se passaram tentamos a cada momento guardá-los e todas as vezes que recordarmos tentaremos olhar com novas visões para nosso próprio crescimento, pois são dos momentos que se passaram que tiramos conclusões do que faremos amanhã.
Do momento presente, a vida pede apenas para vivê-los naquele instante,e jamais tentar transferi-los ou senti-los no passado, muito menos sofrer ansiosamente por momentos que virão.
Dos momentos futuros, desejá-los e pedir a Deus que traga os melhores momentos para nossas vidas e aguardá-los.
Cada um a seu tempo. E lembre-se "Viva o momento presente, por que o ontem já passou e o amanhã talvez não venha..." Por isso viva cada momento intensamente,como se fosse o último de sua vida...

terça-feira, 13 de abril de 2010

As Sete Em Ponto

Numa das paredes da minha sala, encontra-se um bonito relógio antigo, que outrora foi dos meus pais e por sua vez já era dos meus avós, mas que deixou de trabalhar. Os ponteiros, parados praticamente desde sempre, assinalam imperturbáveis a mesma hora: as sete em ponto.
A maior parte do tempo, o relógio é apenas um inútil objecto de decoração numa parede branca, vazia. No entanto, há dois momentos durante o dia, dois fugazes instantes, em que o velho relógio parece renascer das cinzas como uma fénix.
Quando todos os relógios da cidade, nos seus ritmos enlouquecidos, marcam as sete e os cucos, e os gongos das máquinas fazem soar sete vezes o seu repetido canto, o velho relógio da minha sala parece ganhar vida. Duas vezes por dia, de manhã e à noite, o relógio sente-se em completa harmonia com o resto do Universo.
Se alguém olhar para o relógio apenas nesses dois instantes, diria que funciona às mil maravilhas... mas, passado esse momento, quando os restantes relógios calam os seus cantos e os ponteiros prosseguem o seu monótono caminho, o meu velho relógio perde o passo e permanece fiel aquela hora em que, um dia, deteve o seu andar.
E eu adoro este relógio. Quanto mais falo dele, mais o adoro, porque cada vez mais sinto que sou parecido com ele.
Também eu estou parado no tempo. Também eu me sinto preso e imóvel. Também eu sou, de alguma maneira, um adorno inútil numa parede vazia.
Mas desfruto também de momentos fugazes em que, misteriosamente, chega a minha hora.
Durante esses momentos, sinto que estou vivo. Tudo se torna claro e o mundo torna-se maravilhoso. Consigo criar, sonhar, voar, dizer e sentir mais coisas nesses instantes do que no resto do tempo. Estas conjunções harmónicas ocorrem e repetem-se uma e outra vez, como uma sequência inexorável.
A primeira vez que o senti, tentei agarrar-me a esse instante, pensando que o poderia fazer durar para sempre. Mas não. Como acontece com o meu amigo relógio, também a mim se me escapa o tempo dos demais.
...Passados esses momentos, os outros relógios, que vivem dentro de outros homens, continuam a sua rotação e eu volto à rotineira morte estática, ao meu trabalho, às minhas conversas de café, ao meu entediado passo a que costumo chamar vida.
Mas sei que a vida é outra coisa.
Sei que a vida, na verdade, é a soma daqueles momentos, ainda que fugazes, nos permitem perceber a sintonia com Universo.
Quase toda a gente, coitada, está convencida de que vive.
Existem apenas momentos de plenitude e quem não o souber e teimar em viver para sempre, ficará condenado ao mundo da passagem cinzenta e repetitiva do quotidiano.
Por isso te adoro, velho relógio. Porque somos a mesma coisa, tu e eu.
Esta metáfora fabulosa ensina-nos: que talvez todos vivamos apenas na harmonia de alguns momentos. Talvez agora, neste presente, a hora da verdadeira vida coincida com a tua própria hora, todos temos essa hora, desfruta-a. Talvez passe.... demasiado pressa.