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quinta-feira, 17 de março de 2011

O Nó Do Afeto

Era um reunião numa escola. A diretora incentivava os pais a apoiarem as crianças, falando da necessidade da presença deles junto aos filhos. Mesmo sabendo que a maioria dos pais e mães trabalhava fora, ela tinha convicção da necessidade de acharem tempo para seus filhos.
Foi então que um pai, com seu jeito simples, explicou que saía tão cedo de casa, que seu filho ainda dormia e que, quando voltava, o pequeno, cansado, já adormecera. Explicou que não podia deixar de trabalhar tanto assim, pois estava cada vez mais difícil sustentar a família. E contou como isso o deixava angustiado, por praticamente só conviver com o filho nos fins de semana.
O pai, então, falou como tentava redimir-se, indo beijar a criança todas as noites, quando chegava em casa. Contou que a cada beijo, ele dava um pequeno nó no lençol, para que seu filho soubesse que ele estivera ali. Quando acordava, o menino sabia que seu pai o amava e lá estivera. E era o nó o meio de se ligarem um ao outro.
Aquela história emocionou a diretora da escola que, surpresa, verificou ser aquele menino um dos melhores e mais ajustados alunos da classe. E a fez refletir sobre as infinitas maneiras que pais e filhos têm de se comunicarem, de se fazerem presentes nas vidas uns dos outros. O pai encontrou sua forma simples, mas eficiente, de se fazer presente e, o mais importante, de que seu filho acreditasse na sua presença.
Para que a comunicação se instale, é preciso que os filhos 'ouçam' o coração dos pais ou responsáveis, pois os sentimentos falam mais alto do que as palavras. É por essa razão que um beijo, um abraço, um carinho, revestidos de puro afeto, curam até dor de cabeça, arranhão, ciúme do irmão, medo do escuro, etc.
Uma criança pode não entender certas palavras, mas sabe registrar e gravar um gesto de amor, mesmo que este seja um simples nó...

E você? Tem dado um nó no lençol do seu filho?
Eloi Zanetti Palestrante e Escritor

terça-feira, 15 de março de 2011

Atire A Primeira Flor

Quando tudo parecer caminhar errado, seja você a tentar o primeiro passo certo;
Se tudo parecer escuro, se nada puder ser visto, acenda você a primeira luz, traga para a treva, você primeiro, a pequena lâmpada;
Quando todos estiverem chorando, tente você o primeiro sorriso; talvez não na forma de lábios sorridentes, mas na de um coração que compreenda, de braços que confortem;
Se a vida inteira for um imenso não, não pare você na busca do primeiro sim, ao qual tudo de positivo deverá seguir-se;
Quando ninguém souber coisa alguma, e você souber um pouquinho, seja o primeiro a ensinar, começando por aprender você mesmo, corrigindo-se a si mesmo;
Quando alguém estiver angustiado à procura, consulte bem o que se passa, talvez seja em busca de você mesmo que este seu irmão esteja;
Daí, portanto, o seu deve ser o primeiro a aparecer, o primeiro a mostrar-se, primeiro que pode ser o único e, mais sério ainda, talvez o último;
Quando a terra estiver seca, que sua mão seja a primeira a regá-la;
Quando a flor se sufocar entre as ervas daninha e espinhos, que sua mão seja a primeira a separar o joio, a arrancar a praga, a afagar a pétala, a acariciar a flor;
Se a porta estiver fechada, de você venha a primeira chave;
Se o vento sopra frio, que o calor de sua lareira seja a primeira proteção e o primeiro abrigo.
Se o pão for apenas massa e não estiver cozido, seja você o primeiro forno para transformá-lo em alimento.
Não atire a primeira pedra em quem erra.
De acusadores o mundo está cheio; nem, por outro lado, aplauda o erro; dentro em pouco, a ovação será ensurdecedora;
Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu; sua atenção primeiro para aquele que foi esquecido;
Seja você o primeiro para aquele que não tem ninguém;
Quando tudo for espinho, atire a primeira flor; seja o primeiro a mostrar que há caminho de volta,
compreendendo que o perdão regenera, que a compreensão edifica, que o auxílio possibilita, que o entendimento reconstrói.
Atire você, quando tudo for pedra, a primeira e decisiva flor.

Autor(a) Glácia Daibert

segunda-feira, 14 de março de 2011

Eu Ouvi Deus

Levantei Chateado Já Pensando Nos Inúmeros Problemas Que Eu Tinha Para Resolver Naquele Dia.
Um Gosto Amargo Na Boca, Dores Pelo Corpo E Uma Angústia Esquisita Me Invadia A Alma E Dizia Que Eu Não Havia Dormido Bem. E Eu Parecia Uma Barata Tonta, Não Tinha Idéia De "Por Onde Começar"...
Quando Sai Para A Rua Fui Surpreendido Por Um Dia Maravilhoso, Um Sol Gostoso Iluminava Um Céu Azul Quase Sem Nuvens, E Eu Tive A Impressão De Que Deus Queria Falar Comigo.
Continuei Caminhando E Nas Árvores Da Praça Perto De Casa, Dezenas De Passarinhos Cantavam Alegres E Disputavam Alimentos Com Uma Barulheira Festiva,
E Senti Que Deus Queria Falar Comigo.
Olhei Para As Flores Daquele Jardim E Mais Uma Vez Senti Que Deus Queria Falar Comigo.
Angustiado Com Meus Problemas Que Pareciam Ser Os Mesmos Sempre, Parecia Que Eu Nunca Iria Sair Daquele Círculo De Aflições, Quando Percebi Que Minhas Pernas Estavam Me Levando Por Todos Os Lugares Que Eu Queria, Mesmo Sem Eu Ordenar Nada, Que Meus Braços Eram Fortes E Eu Poderia Utilizar Essa Força Para O Trabalho, E Que Meu Cérebro Possuía Ainda Um Raciocínio Muito Rápido, E Mais Uma Vez Percebi Que Deus Queria Falar Comigo.
Mais A Frente, Vi Um Menino De No Máximo 3 Anos, Com Os Bracinhos Esticados E Nas Pontas Dos Pés Pulando Para Alcançar Uma Maçã No Alto De Uma Árvore.
Mesmo Com Todo O Seu Esforço, Empenho E Alegria, Eu Percebi Que Ele Nunca Iria Conseguir Alcançar Aquela Maçã, E Nesse Momento Eu Ouvi Deus Me Falar Que Nós Somos Iguais Aquela Criança...
Na Maioria Dos Nossos Dias Colocamos Nossa Felicidade, Nossos Melhores Sonhos, Em Lugares Tão Altos Como Aquela Maçã Estava Para O Menino.
Perseguimos Frutos Que Não Estão Ao Nosso Alcance, E Desprezamos O Belo, As Coisas Boas Que A Vida Nos Oferece E Nem Damos A Devida Atenção.
Percebi Então, Quanto Tempo Eu Estava Perdendo Em Busca Do Impossível Antes Do Possível.
Compreendi Que A Felicidade Está Onde Nós Estamos, Onde Está O Nosso Coração..
E Nesse Dia Eu Ouvi Deus.

Autor Paulo Roberto Gaefke