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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Andarilho

Um homem, tendo que fazer uma longa viagem, se preparou como melhor lhe convinha. Teria um longo caminho pela frente, e neste tempo, enfrentaria muito sol, chuva, frio, enfim, inúmeros obstáculos. Achava que nada poderia detê-lo.
Para a sua caminhada, pegou o melhor calçado, as melhores roupas, chapéu, enfim, tudo o que achava necessário. E tudo era novo.
Pensou em seu destino e em tudo de valor que achava possuir. Abriu sua mochila, e nela colocou tudo: calçado, roupa, chapéu, achando que se não os usasse em sua jornada, ao final, teria tudo ao seu dispor, quando quisesse. E novo!
Colocou a mochila às costas, e partiu. Ao longo de sua viagem, após varias trilhas, viu-se cansado e não podia mais continuar. Estava exausto.
O peso às suas costas, com o seu “tesouro”, já lhe era insuportável. Seus pés, rachados e sangrando, seu corpo surrado, machucado e frágil, sua cabeça ferida e seu pensamento, sem direção.
Olhou para os seus pés e para seu calçado. O sapato continuava novo, e seus pés, acabados. Tomou a sua roupa nova e tocou o seu corpo velho e dolorido. Levantou o seu chapéu, novo, e tentou colocá-lo em sua cabeça inchada. Faltava muito para chegar e tudo que possuía... NOVO, tal como preservou, de nada lhe servia agora. Pensou em abandonar tudo.
Em silêncio, e pela primeira vez, concluiu que se tivesse utilizado o seu calçado, ele estaria velho, mas seus pés, apenas doloridos. Se tivesse se vestido, sua roupa estaria rota, mas seu corpo não estaria tão machucado, cansado e sujo. Se tivesse usado o seu chapéu, ele estaria com suas abas caídas, mas sua cabeça não estaria por estourar de dor.
Refletiu, e reconheceu que ali estavam os seus verdadeiros amigos.
Deixe os amigos entrar na sua vida.
Tentando preservar os amigos, não permitimos que eles participem de nossa vida!
Nossos verdadeiros amigos estão para nos servir a todo instante e mesmo que algo que você fale pareça desgastá-lo, acredite: ele te protegerá.
Os seus amigos não querem estar somente em uma mochila (ou na agenda de seu celular ou na sua lista do Facebook), como o calçado, a roupa, o chapéu, como um fardo que você carrega. Querem é estar contigo, em toda a sua jornada, mesmo que cheguem desgastados, sujos, cansados, porém, certos de que, de algum modo, aliviaram a sua dor, seu sacrifício e participaram de sua alegria, e chegaram ao fim.

Marcio Zeppelini
Colaboração: Carlos E. Della Justina

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A Flor Rara

Havia uma jovem muito rica, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe pagava muitíssimo bem e uma família unida. O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso. 
O trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e pouco sobrava para a família.
Um dia, seu pai, um homem muito sábio, deu a ela uma flor muito cara e raríssima, da qual havia apenas um único exemplar em todo o mundo. E disse a ela:
- Filha, esta flor vai te ajudar a resolver seus problemas: você terá apenas de regá-la e podá-la de vez em quando, às vezes conversar um pouquinho com ela e ela dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas cores.
A jovem ficou muito emocionada afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, o trabalho consumia todo o seu tempo e a sua vida, não permitindo que ela sequer cuidasse da flor. De volta à sua casa, ela olhava a flor, que ainda estava lá, não mostrando sinal de fraqueza ou morte. Apenas estava lá, linda, perfumada. Então ela passava direto.
Até que um dia, mal entrara em sua casa, a jovem leva um susto! Sem mais nem menos, a flor morreu. Suas pétalas estavam murchas e escuras, suas folhas, ressecadas.
A jovem chorou muito e contou a seu pai o que havia acontecido. Seu pai então respondeu: 
- Eu já imaginava que isso aconteceria e não posso te dar outra flor, porque não existe outra igual a essa. Ela era única, assim como seus filhos, seu marido e sua família...
A relação com as pessoas que nos amam é como uma flor!
Assim como a flor, os sentimentos também morrem. Os sentimentos das pessoas, se não forem diariamente cultivados também morrem, acredite. 
E cultivar diariamente não dá trabalho. O que dá trabalho é tentar ressuscitar as flores depois de mortas - ou seu casamento depois de o amor já ter morrido. Ou o respeito dos filhos, depois que as drogas ou outras coisas “mais importantes” tomaram lugar.
Cuide das pessoas que você ama! Diga “Eu te amo” aos seus filhos, seus pais e à pessoa que ama! Diga, escreva, mostre isso todos os dias!
Abrace e carregue aquilo que ama com mais vontade. Dinheiro é bom e também pode ser carregado com vontade, assim como o seu trabalho, se você gosta do que faz, deve ser preservado com unhas e dentes. Sua saúde, seus amigos, sua casa, seu cachorro.
Tudo que você ama, se você souber “regar, adubar e podar” lhe renderá beleza e perfume pelo resto da vida.

Marcio Zeppelini
Colaboração: Carlos E. Della Justina

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um Bom Lugar Para Viver

Conta uma lenda popular do Oriente que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e aproximou-se de um velho Samurai e perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoa vive neste lugar?
- Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde você vem? 
- perguntou por sua vez o ancião.
- Oh, um grupo de egoístas e malvados 
- replicou o rapaz 
- Estou satisfeito de haver saído de lá!
- A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui 
– replicou o velho, sorrindo sorrateiramente.
No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião, fez a mesma pergunta do primeiro rapaz, obtendo a mesma resposta do ancião:
- Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde você vem?
- Ahhh.... lá era tudo ótimo: havia um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas e hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las.
- Fique tranquilo, rapaz. O mesmo você encontrará por aqui 
- respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
- Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?
- Cada um carrega no seu coração o meio em que vive. 
Aquele que nada encontrou de bom nos lugares onde passou, não encontrará coisas boas por aqui também. 
Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui.
Quem faz um lugar são as pessoas.
Quem escolhe as pessoas é você!
Nossa atitude mental é a única coisa em nossas vidas sobre a qual podemos manter o controle absoluto. O que faz de um lugar ser bom ou ruim é o sentimento que você mesmo depositou. Isso ocorre num lugar visitado, num emprego, numa roda de amigos.
É comum que nós estejamos absolutamente confortáveis com algumas pessoas e, poucos dias depois, a satisfação de estar com as mesmas pessoas talvez não seja a mesma que outrora. Isso porque você está carregando alguma coisa que em nada tem a ver com esse grupo de amigos.
Ou seja: não importa onde esteja ou com quem esteja, encontre os pontos positivos daquele lugar ou indivíduo. Evite ficar medindo os pontos fracos. Você perceberá imediatamente o quanto aquele ambiente te faz bem!
No trabalho, idem: não adianta você buscar outro emprego se você não consegue separar os pontos fortes e fracos deste seu atual. Somente com tudo na balança é possível ter consciência de que vale ou não a pena.

MARCIO ZEPPELINI
Colaboração: Carlos E. Della Justina